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O adeus à educação infantil

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 Esse ano, Daniel e eu estamos dando adeus à educação infantil. Digo Daniel e eu porque em toda sua trajetória escolar, eu revivi a minha própria experiência na escola. Voltei no tempo desde o primeiro dia em que meu filho, aos 17 meses, fez sua estreia como estudante. Ainda consigo sentir a insegurança de deixá-lo em seu primeiro dia de aula. Ao me afastar e vê-lo aos prantos, experimentei a dor da separação pela segunda vez, só que agora no lugar de mãe e não mais de filha. Foram meses de adaptação. Hoje, tenho certeza de que mais do que ele, eu é quem precisava me adaptar. Dois anos depois de seu debut, Dan mudou de escolinha. Para que essa mudança fosse menos traumática, saí em busca de um lugar que me acolhesse, que fosse extensão de casa, que tivesse muitas cores, bastante espaço e que o brincar fosse respeitado mais do que o conteúdo. Eu busquei uma escola sem pressa, que permitisse meu filho viver a infância com leveza: experimentando, errando, caindo, sujando-se, fazendo os primeiros amigos quem sabe de uma vida inteira. Quando eu encontrei esse lugar - na verdade, foi o coração quem disse sim - tratei de levar meu filho para conhecer a escola onde ele passaria os próximos anos de sua primeira infância. Nós curtimos cada ano intensamente: as festas memoráveis de dia das mães e dos pais, as danças das festas juninas, as feiras de ciências, as reuniões de pais e mestres, os passeios escolares, a emoção de ter chegado na idade de começar a praticar esportes, a amizade com as famílias dos amiguinhos, as festas de aniversário, e, finalmente, o inicio da alfabetização. Esta, por sinal, foi um difícil começo. Eu, sem humildade, achei que meu filho seria um "mini me", que aprendeu a ler antes de todo mundo e acabou pulando a alfabetização. Porém, inversamente proporcional ao que eu esperava, para o meu filho, nada do que eu explicava fazia sentido. Dan era o meu avesso. Ele e as letras não se entendiam, o que para mim foi um choque, provocando-me primeiro a ira, depois a tristeza, o orgulho e o descaso. Foi necessário um hiato para que eu conseguisse me reajustar e transformasse esses sentimentos em humildade e resignação de que cada um tem seu próprio tempo e que eu não posso controlar tudo. Mais uma vez, foi meu filho quem me ensinou algo e não o contrário, como se costuma supor. Abri espaço para uma terceira pessoa ajudar - de forma lúdica - meu filho a compreender o dançar das letras, e, aos poucos, ele foi captando a lógica da coisa.
A festa do ABC está próxima, mas mais do que o alfabetizar, para mim, a festa é uma grande despedida de etapa. Dan está deixando o jardim de infância para entrar no ensino fundamental. Escola maior, mais responsabilidades, mais tarefas, mais desafios, menos brincadeiras...a farda amarela que o deixava com carinha de pintinho amarelinho é encostada para dar lugar a cores menos vibrantes. Escrevendo assim parece triste, não? Mas sou de rituais e acho importante essas mudanças para que o inconsciente diga à consciência que é hora de crescer mais um pouquinho. São manobras para o cérebro e o coração se adaptarem ao novo. A primeira bolha foi estourada e aquele corpinho que antes andava colado ao meu, anda agora mais distante, mais seguro e mais envergonhado de me dar um beijo de despedida na porta da escola, tão diferente daquele conturbado início em que meu colo era o único lugar no mundo em que ele se sentia seguro. Bom sinal! Parece que muito colo o deixou seguro o suficiente para agora andar com as próprias pernas, manter-se um tanto distante e saber que não importa o tamanho ou a idade, colo e abraço de mãe é para o resto da vida dele e da minha...
 Esses dias que antecedem o adeus tem sido de emoção grande! Por isso, deixo aqui um poema de Olavo Bilac que com maestria traduz todos esses sentimentos que ando experimentando ultimamente:

Infância
O berço em que, adormecido,
Repousa um recém-nascido,
Sob o cortinado e o véu,
Parece que representa,
Para a mamãe que o acalenta,
Um pedacinho do céu.
Que júbilo, quando, um dia,
A criança principia,
Aos tombos, a engatinhar...
Quando, agarrada às cadeiras,
Agita-se horas inteiras
Não sabendo caminhar!
Depois, a andar já começa,
E pelos móveis tropeça,
Quer correr, vacila, cai...
Depois, a boca entreabrindo,
Vai pouco a pouco sorrindo,
Dizendo: mamãe... papai...
Vai crescendo. Forte e bela,
Corre a casa, tagarela,
Tudo escuta, tudo vê...
Fica esperta e inteligente...
E dão-lhe, então, de presente
Uma carta de A.B.C...


6 anos de Dan, 6 anos de maternagem...

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 Há 6 anos, as 16h e 45min, eu estreava como mãe. Num susto, soube que era hora dele chegar; nome ainda não definido, malas prontas porque sempre fui precavida, saímos pra fazer um exame de ultrassom. Eu estava na 37.ª semana de gravidez.
 No consultório, imperava um silêncio daquele que incomoda. Finalmente a médica começou a dizer:
 - acho melhor falarmos com sua obstetra porque o liquido não está na quantidade suficiente. Possivelmente ela vai querer fazer o parto ainda hoje.
 Eu e Giovanni nos entreolhamos incrédulos e a partir desse momento eu pedia a D´us que a obstetra dissesse algo diferente. O bebê ainda estava com baixo peso e eu queria muito chegar o mais perto possível da 40.ª semana.
 O consultório da obstetra era ao lado e então pudemos logo ser atendidos. Sentar naquela maca pra mais um exame de toque era um pesadelo. Porém, necessário.
 - Myriam, você já perdeu o tampão.O trabalho de parto está ativo e a água que você vem perdendo nos últimos dias é liquido amniótico. Seu filho está correndo mais perigo aí dentro do que aqui fora. Tem que ser hoje. Disse a obstetra num tom que oscilava entre o acolhedor e o preocupante.
- Hoje?!
- É, por volta das 16h. Já vou ligar pra equipe. E qual vai ser o nome do meninão? Definiram? Em uma nítida tentativa de abrandar a tensão que se estabeleceu.
- E aí, Giovanni? Daniel ou Rafael? perguntei, tentando sorrir.
- Por mim, você sabe...prefiro Daniel.
- Então tá. É isso, Dra.! Parece que Daniel vai chegar!
E assim saímos do consultório: muito assustados, com nome definido e com a incumbência de nos prepararmos para a grande hora.
 Liguei pra minha mãe. Quem mais poderia ser a primeira a receber a noticia? Não tem jeito. Na aflição, o primeiro pensamento é a mãe...eu contei que aquele sábado não seria qualquer sábado, mas na verdade, eu que queria perguntar: mãe, me ensina a ser mãe?
 Chegamos ao hospital e minha pressão estava bem alta. O susto, a emoção e o medo mandaram meu corpo avisar que era hora mas não pra mim. Não há preparo. A jornada de 37 semanas não foi suficiente. A espera é longa no tempo, porém insuficiente quando chega a hora de se ser o que ainda não se sabe ser.
 Todos alegres, equipe acolhedora, amiga querida pediatra, marido segurando minhas mãos - eu queria que ele me segurasse inteira. Tudo estava nos conformes. Menos eu, que ria apenas para fora. Eu estava apavorada. Uma dor de cabeça enorme, como um peso...o peso da responsabilidade. E agora?! Como vai ser? Como ele será? "Mas quem eu será?"
 - Dr., tô enjoada...
 - Normal, Myriam. Vou ajustar a medicação e você vai já se sentir melhor.
 - Melhorou?
 Consenti. Eu queria falar mas as palavras não saíam.
 Poucos minutos depois, um chorinho. Percebo a movimentação. Conheço-o entre lágrimas e tenho direito a uma foto.
 - Amiga, ele tá muito cansado. Preciso levá-lo pra UTI. Vai ficar tudo bem, foram as palavras da pediatra.
 - Mais uma vez consinto. Eu queria falar mas as palavras, de novo, não saíam. Sinto ainda mais medo e o medo me faz soltar a voz:
 - Giovanni, me deixa! Vai atrás do Daniel.
 - Mãe, você está muito nervosa, diz o sábio médico. Vou lhe fazer descansar.
 Dizem que falei com as pessoas no quarto. Dizem que muita gente estava lá. Mas não sei. Não lembro. Acordei 12h depois do primeiro choro, já fazendo menção de levantar.
 - Quero ver meu filho. AGORA.
 - Mas são 4h da manhã, amor.
 - Eu vou agora!
  E assim fui, com dor, curvada, arrastando os pés, sem pedir pra entrar, sem colocar os aparatos necessários, apenas com a coragem que de repente descobri que eu tinha e entrei na sala para ver meu filho naquela máquina, usando sonda com seus 2.600 quilinhos.
 - Senhora, o que a senhora está fazendo aqui? Não pode entrar!!!
 - Vim ver meu filho!
 - Mas a senhora nem vestiu a roupa.
 - Sinto muito. Eu tinha que vê-lo.
 - Agora a senhora precisa sair. Amanhã poderá vê-lo.
 Obedeci. A contragosto, fui me deitar. Foram apenas 36h de UTI. Pareceu uma eternidade. Bravas mães de UTI. Meu repeito e abraço.
 Saímos do hospital no dia 16 de novembro. Quando entramos em casa com o nosso pacotinho, bateu o típico desespero do desconhecido. Foi uma mistura de alívio, tristeza, medo, dúvidas, amor, que nem sei explicar, mesmo hoje. Ali, comecei minha jornada de mãe. Conheci os dias mais alegres e também os mais tristes e solitários que já havia experimentado ao longo daqueles 29 anos. Foi dificil entender que minhas emoções nunca mais seriam constantes. Que nunca mais a vida seria igual e que eu havia me tornado outra mulher. Que eu iria buscar a familia como nunca. Que as prioridades seriam outras. Que o tempo ficaria escasso e que era preciso me afastar de tudo o que eu conhecia para tentar entender o que eu queria e quem eu seria a partir dali. A fissura da maternidade dói. O peito rachado dói. O corpo dói. A cabeça dói. A falta de sono dói. Aprender dói. O primeiro filho vem com essa carga - pesada, eu diria - de fazer você pegar no tranco. É um rompimento absurdo, impossível de passar incólume. É daquelas mudanças que só entende quem passa e nada do que eu disser aqui vai ser suficiente para alguém que não experimentou. O amor é genuíno, com uma cartela de cores inimaginável. A viagem mais incrível e dura que já fiz. Eu me debato no divã todas as quintas-feiras em busca de ser a melhor mãe possível para que eu possa tornar meus meninos os melhores homens possíveis. Esse trabalho é um caminho por vezes tortuoso mas é recompensador.
 - Dan, se te olho com ternura, eu te amo! Se te olho com dureza, eu te amo! Se te olho com alegria, eu te amo! Se te olho com firmeza, eu te amo! Se te olho com saudade, eu te amo! Se te olho com contrariedade, eu te amo! Se te olho preocupada, eu te amo! Se te olho com "brabeza", eu te amo! Se te olho de longe, eu te amo! Se apenas te olho, filho, eu te amo...sempre!
 Feliz 6 anos!!!
 Mamãe














Divórcios

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 Às vésperas de completar 10 anos de casada, (re)pensar a relação é inevitável. Comigo isso acontece periodicamente: às vésperas do fim do ano, do meu aniversário e de todas aquelas datas que correspondam à oportunidade de se repensar, refazer-se, renovar-se, fechar ciclos e por aí vai.
 Já faz algum tempo, li um texto do Jabor (se é que é dele mesmo. Afinal, de 100 textos compartilhados, 101 atribuem ao Jabor, vá saber...) que falava sobre divórcio. Há algumas semanas, o texto reapareceu nas minhas redes sociais e concordei - mais uma vez - com o que ele dizia.
 Entre namoro e casamento, eu e meu marido somamos 19 anos juntos. Tenho 35 anos. Ou seja, mais da metade da minha vida eu compartilhei com ele. Revisitando as memórias que construímos, chego à conclusão a que o texto falava...ao longo dos anos, é certo que a gente (e o outro) muda fisica e emocionalmente. Nem eu e nem ele somos mais aqueles jovenzinhos entre 16 e 17 anos que tinham pela frente uma única certeza: a de que queriam chegar a algum lugar juntos. Por isso, inevitavelmente, de tempos em tempos, foi preciso romper com a relação que se tinha para adaptar-se ao novo ser que estava diante de mim e vice versa. É realmente imprescindível se divorciar várias vezes ao longo de um casamento/relação e estar disposto a casar/se relacionar de novo e de novo e de novo, só que com a mesma pessoa. O amor, sem dúvida, é fundamental, sustenta, aquece mas não basta em si mesmo. É preciso muito mais que amor para enfrentar a violência do tempo. É preciso saber que os caminhos, embora paralelos, seguem na mesma direção. É preciso apoio. É preciso cumplicidade. É preciso afago.  É preciso coragem. É preciso perdão. É preciso não ser preciso e ainda assim querer estar. É preciso reconhecer-se no outro sem deixar de ser você mesmo. É preciso dizer não. É preciso dizer sim. É preciso estar em silêncio, sabendo que o silêncio não é um barulho abafado e sim paz. É preciso aceitar que o tempo deixa marcas mas não tira a essência. É preciso ver que o pior momento pode ser a oportunidade mais incrível de ser feliz com o outro. É preciso esperar que a tempestade do outro passe e chover com ele se preciso. Por muitas vezes, eu quis que o tempo voltasse, eu desejei profundamente que fossemos como há 10 anos, que permanecêssemos intactos, exatamente como na história que li dia desses: não importava o que o protagonista fizesse, ele permanecia lindo, jovem, sem qualquer sinal de desgaste. Todas as rugas, preocupações e marcas que a vida lhe trouxera não o envelheciam. Quem se desgastava era o quadro com uma pintura de seu rosto. Que maravilha...tentador, eu diria. E olhando nossas fotos antigas, constatei a beleza do amor jovem, que o tempo ainda não corroeu, constatei o amor, a paixão, a ingenuidade, os sonhos, a vivacidade, tudo o que nos fez querer estar juntos. E por muitas vezes eu desejei tudo igualzinho, como se a vida não tivesse acontecido. Eu queria o amor em tela: parado, estático, imóvel, liso.  Porém, como uma epifania, eu compreendi que isso além de impossível, não me faria mais feliz. E reconhecer isso foi um dos divórcios mais difíceis pelo qual passei porque tive que me divorciar não do Giovanni, mas de mim mesma, abandonando a crença de que o tempo não é meu amigo, de que há certeza no futuro, de que não há beleza no cacto, de que um vaso quebrado não suporta flores. Compreendi com a força de um tornado aquela frase: "navegar é preciso; viver não é preciso". Somos resultado de nossas escolhas e algumas delas não foram as melhores mas foram as possíveis. Hoje, olho para trás e vejo (com muita alegria) o quanto soubemos aproveitar a vida. Hoje, olho para o presente e enxergo, entre uma ou outra mudança, os mesmos profundos olhos azuis que falam antes de sua boca abrir e reconheço, como nas fotos antigas, o mesmo olhar apaixonado com o qual fui agraciada só que agora com um adendo: há um muito obrigado por tudo o que conseguimos construir até aqui. Hoje, olho para o futuro e apesar dos muitos planos, já não tenho a petulância de achar que tudo acontecerá conforme o planejado. O tempo ensina que ser maleável faz a vida mais leve, as relações mais duradouras e menos estridentes. O tempo é um sábio amigo. E mesmo que nossos relógios despertem em diferentes momentos, em algum momento, a gente se encontra e o descompasso desaparece. Deixo aqui meu soneto preferido, que exprime exatamente o amor que sinto ao longo de quase duas décadas:

"Saberás que não te amo e que te amo
posto que de dois modos é a vida,
a palavra é uma asa do silêncio,
o fogo tem uma metade de frio.
Eu te amo para começar a amar-te,
para recomeçar o infinito
e para não deixar de amar-te nunca:
por isso não te amo ainda.
Te amo e não te amo como se tivesse
em minhas mãos as chaves da fortuna
e um incerto destino desafortunado.
Meu amor tem duas vidas para amar-te.
Por isso te amo quando não te amo e por isso te amo quando te amo".
(Soneto XLIV; Pablo Neruda) 


Cores

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 Sábado passado, com recém completados 1 ano e 3 meses, Noah deu seus primeiros passos sozinho. Mesmo já tendo passado por isso alguns anos atrás, eu me emocionei de novo e como se fosse a primeira vez. Estávamos todos (pais, avós e tia) ansiosos por esse momento. Menos o Noah, que continuou desdenhando de nossa ansiedade e deixou claro que só andaria quando quisesse. As comparações foram inevitáveis e até já falei sobre isso em outras mídias sociais. Dan andou, falou e teve dentinhos mais cedo. Daí a ansiedade dessa mãe que ficou esperando que o tempo se repetisse. Mas já dizia minha avó: "nem os dedos das mãos são iguais, o que dirá as pessoas". Para dizer a que veio, Noah, apesar de não querer muito saber de andar, adora escalar. Tem dado susto atrás de susto. Quando olhamos, subiu na mesa, na cadeira, na escada...é como se tentasse mostrar que é único: no tempo, nos gestos, nas escolhas, no viver. Tem o olhar desafiador. Chega a me encarar enquanto (sabe que) faz algo que não deveria. Digo "NÃO" e ele me sorri de lado, como se tivesse em eterno deja vu. Apesar de eu sempre falar em amor em dobro, o que efetivamente acontece, posto que a cada dia amo mais, a rotina de se dividir nas diferenças dos filhos é difícil e na grande maioria das vezes - que me perdoem aqueles que veem a maternidade apenas em nuances de rosa - exaustiva. Despender energia para lidar com seres tão diferentes não é tarefa fácil. Encontrar tempo e energia para ser quem se é, missão quase impossível. Daí muitas vezes, "sem razão", eu estar perdida em pensamentos, áspera nas palavras e nos gestos. Tenho tido problemas com o ritmo. O meu, pra ser mais precisa. Que há anos não obedeço. Sigo os de outrem, dia a dia, sem cessar. Meu corpo e mente tem pedido que eu obedeça meu ritmo, eu é que não tenho dado ouvidos. Até dou, mas quem faz no meu lugar? Aí eu lembro aquela frase que se ouve toda vez que se encontra alguém na rua que olha seus filhos e diz: "nossa! como cresceram! Passa tão rápido, né?" Bom, depende da perspectiva...há dias que sim, há dias que sinto que fui engolida pelo tempo e ele me deixou lá presa, igual aquela música, daquela banda, que um dia gostei tanto: "you´ve got stuck in a moment and now you can´t get out of it..." é que como vivo muitas cores nessa minha jornada de mãe, os dias são variados e acho tudo bem nisso. Estranho seria ser sempre linear, igual à máquina do hospital quando anuncia que alguém morreu...Eu não! Estou bem viva, "cores de Almodóvar, cores de Frida Khalo, cores..."


35 com jeitinho de 70!

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 Não sei vocês, mas eu me assustei com a ladeira que comecei a descer esse ano! Passada a fase de amamentação, tentei voltar a me cuidar. Aumentei a frequencia na academia, marquei vários médicos, comecei a fazer os exames, dei uma cortada nos carboidratos pra ver se o resultado vinha mais rápido, enfim, uns cuidados para minimizar os estraguinhos que 17kg a mais me fizeram na gravidez do Noah. Diferentemente da primeira vez, tenho sentido mais dificuldade pra tudo. Os quilos a mais emagreci no dobro do prazo da gravidez do Dan. O rosto viu as primeiras manchas, a massa muscular insiste em não aparecer e todo o esforço parece ser nada. Bem que me disseram que depois dos 30 tudo é mais dificil. Só não imaginei tanto. Tento tratar uma coisa e piora outra por causa dos efeitos colaterais...aí chego na farmacia com uma lista de produtos para conter os efeitos. Vou num médico e arranjo problema pra procurar outro especialista. Vou pra academia com mais frequencia e a lombar grita. Gente, os 35 tão com jeitinho de 70! Não tá dando! Se eu for me render a tudo, não faço outra coisa a não ser ir de especialista em especialista e de um tratamento para outro. Dava para preencher todos os horários só com estética e médico, nénão?...mas a vida real e de NÃO artista não permite... e aí eu volto pra casa, pros filhos, pro marido, pra vida de escritora que abracei, pros encontros com os amigos, pra mim mesma, com uma única certeza: a de que não se pode ter tudo! Mas o que escolhi tá de ótimo tamanho!


Crônicas em livro - sonho devidamente realizado

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 Dia 03/07/2016 foi um dia que guardarei com muito carinho...as crônicas deste blog foram devidamente editadas e um livro lindo nasceu! Foi uma tarde cheia de emoções. Quanta coisa boa a maternidade tem me proporcionado ao longo desses anos. A melhor delas foi me redescobrir e me reinventar! Obrigada a todos que compareceram. Vocês nem imaginam o quão feliz me deixaram!
 Além do lançamento das crônicas, ocorreu uma tarde de contação de histórias com as meninas do Brincando no Ateliê! Fiquei muito feliz que meus dois outros livros foram contados de forma tão bacana por elas. Obrigada ao Espaço Conviver pela tarde maravilhosa!!!















1 ano de Noah

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 Há 365 dias Noah chegava em nossas vidas e hoje é sem dúvida um dia muito feliz. Passei o último mês revisitando memórias...memórias de uma viagem em que decidimos que era hora de termos mais um filho; memórias de um resultado positivo muito comemorado; memórias de uma gravidez extremamente tranquila e feliz; memórias de um intenso e lindo trabalho de parto que findou em cesárea mas que não deixei de ser protagonista; memórias de um novo, porém já conhecido puerpério; memórias da avalanche que foi sentir o amor pelo segundo filho invadindo nossas vidas; memórias de uma mãe que se sentia segura como se já soubesse tudo, tão diferente daquela mãe assustada com o primeiro filho nos braços. Logo nos primeiros dias em casa, descobri que mesmo já sabendo, eu não sabia. Era preciso aprender a lidar com um novo ser, que desde sempre deixa claro o que quer. Era preciso aprender a se dividir e a dividir o amor, porque era impossível estar inteira para ambos os filhos ao mesmo tempo. Mais do que nunca era preciso aprender que ajuda não é fraqueza e que isso não fazia de mim melhor ou pior mãe, mas a mãe possível. Era preciso aprender a se entregar mais uma vez a um filho sem contudo perder-se de si mesma porque eu já havia aprendido a existir após a maternidade. Quando estreei minha maternagem, fiquei enlutada. A Myriam antes do Daniel havia morrido. Viver esse luto foi sofrido...é muito dificil abandonar-se sem saber quem nos tornamos. Então eu me reconstruí. Quando Noah chegou, não havia medo ou dúvida. Eu simplesmente já sabia ser além dos filhos. Por isso soube ser mais leve e menos culpada com os possíveis erros que cometi (e cometo) ao começar minha segunda viagem. Tenho, a cada dia, tentado ser melhor mãe para o Daniel, pois entendi que não existe mãe perfeita, logo, não há filho perfeito e que por isso, seus tropeços não tem que ser mais  exaltados que seus acertos. Dan me ensinou tanto sobre a capacidade de amar e superar tudo e todos em nome de algo maior. Com Noah tenho aprendido tanto sobre ser a mãe real que sabe seus limites e é feliz com isso. O maior presente que Noah me deu foi a possibilidade de ver o amor entre irmãos nascendo e sendo cultivado no dia a dia. E mesmo havendo ciúme e disputa pela atenção, logo vem o abraço, o beijo e o "eu amo meu irmão, mamãe." 
 É bem verdade que estou mais cansada. É bem verdade que há dias que estou muito, muito brava com meus filhos diante daquele cansaço que só as mães conhecem. É bem verdade que há momentos em que fico pensando no que eu estaria fazendo se não fosse mãe. É muito verdade que de vez em quando desejo uns dias de silêncio e folga. Definitivamente, não sou encorajadora de que as pessoas tenham filhos, pois nem todo mundo quer ou precisa disso pra se encontrar e ser feliz. Porém, eu jamais teria me tornado quem sou se não fossem meus meninos. Eu adoro existir fora do meu corpo. Eu adoro me reconhecer em um gesto. Eu adoro sonhar com um futuro que não é meu. Eu adoro ser surpreendida com uma pergunta assustadora. Eu adoro a paz que sinto quando os vejo dormindo aquele sono que só temos na infância. Eu adoro quando ouço aquela gargalhada que só eles sabem dar. E mais do que tudo, eu adoro o olhar apaixonado como se no mundo só eu existisse e isso só as mães tem a felicidade de receber.
 Há um ano fomos agraciados pela descoberta do amor em dobro e que só se multiplica a cada dia. A vida está bem mais bagunçada, porém o coração está inundado de alegria e tranquilidade porque pudemos nos eternizar em dois seres lindos e perfeitos dentro de suas humanas imperfeições.
 Parabéns, Noah. Obrigada por também chegar para me ensinar.

Foi nesse paraíso que decidimos o segundinho! Ficou fácil, né?! rsrsrsrsrsrs


ensaio lindo que fizemos



já com mais de 8h de trabalho de parto, monitorando Noah

As 21:06 ele chegou!

O primeiro encontro dos irmãos

O amor em dobro que nos arrebatou
Brit Milá

Comemorando mensário










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