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AMORmentação

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 Às vésperas de completar 3 meses do nascimento do Noah, vim escrever sobre como está sendo essa segunda viagem no que diz respeito à amamentação, que para mim, é o que há de mais dificultoso na maternidade. A grande vantagem foi já saber que não é fácil e que o inicio é doloroso, mas que passa! Noah veio com fome de leão, fazendo uma pega corretíssima desde que saiu da barriga. A gente se entendeu de cara. Mãe que sabia amamentar, filho que sabia mamar. Foi lindo nosso encontro. Memorável aquele serzinho mínimo mamando como se sempre soubesse, agindo instintivamente. Ainda assim, doeu! Meu leite desceu no terceiro dia. Amanheci, do nada, ENORME, parecendo uma vaca leiteira, com febre e leite para três! Rsrsrsrsrs...mesmo com dor, ordenhei e comecei a estocar em saquinhos próprios no congelador. Passados alguns dias, ele mordeu meu peito direito e foi sangue para todo lado. Dois dias só amamentando com o esquerdo e muito cautelosamente tirando com a bomba manual leite do direito. Duas semanas depois, o episódio se repetiu. E para cicatrizar foram três dias. As dores da amamentação perduraram por uns 20 dias. Depois as coisas foram melhorando e amamentar começou a ser um pouco mais prazeroso e menos dolorido. Mesmo assim, com tanta ordenha, continuo sentindo dores em alguns dias. Já em outros sinto nada e é só alegria. Dificil mesmo é driblar o cansaço. Mesmo fazendo uso da mamadeira em uma ou outra mamada para eu descansar, o cansaço é alucinante! Aqui faço um parêntese para dizer que não tive problema algum em usar mamadeira. Algumas mães receiam que haja confusão de bicos e isso acontece mesmo com alguns bebês, mas, graças a D´us, não é o meu caso e continuo amamentando normalmente. Diferentemente do Dan, que mamava rápido e pegou chupeta, Noah AMA o peito, fica mais de 1h mamando e não quis chupeta de jeito algum. Testei, não quis e deixei de lado. Não sou a favor de forçar. Dan pegou de primeira e aos 2 anos largou. Mesma mãe, filhos diferentes e tudo bem! Só que cansa muito mais. Há dias que passo praticamente 4h sentada amamentando, principalmente final de tarde em que a necessidade de mamar aumenta. Houve dias que chorei. Sentei as 16h e 30min e eram mais 20h e ele não queria largar o peito. Arrotava e voltava ininterruptamente. Nesse dia, inclusive, cogitei não mais amamentar. Estava esgotada, chorei muito e quando finalmente Noah dormiu e eu também pude descansar por 4h, deixei para lá os maus pensamentos e resolvi que iria amamentar um dia de cada vez e assim sigo até o dia de hoje. O fato é que a amamentação exclusiva e em livre demanda é exaustiva demais, ainda mais quando a quarentena acaba e a gente começa a retomar as atividades de dirigir, fazer as compras da casa, cuidar do filho mais velho etc. Para que eu continue firme e forte no leite materno, ou estou amamentando ou estou ordenhando para que eu possa sair, resolver as coisas pendentes e voltar tendo pulado uma mamada. E nessas horas lembro dos trechos do livro da Laura Gutman, em que afirma que amamentação e liberdade são duas coisas que não coexistem. Uma derruba a outra! e é a mais pura verdade! Seguir no propósito de amamentar um filho é abrir mão da pouca liberdade que nos sobra. Há dias muito muito dificeis e dias que tudo flui maravilhosamente. O que me sustenta? A troca de olhar, o aconchego, as mãozinhas me tocando, a certeza de que estou tornando meu filho mais forte e saudável, enfim, o que me sustenta é o amor!




Por enquanto, mãe!

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 Passei uns 15 minutos embalando o Noah na cadeira de balanço que fica na minha sala de TV, cadeira essa, acreditem, que foi da minha bisavó. Os 15 minutos de embalo adormeceram o  pequeno, o que mais uma vez me rendeu a possibilidade de sentar e escrever algo sobre essa nova jornada de mãe. Antes, tenho que dizer que fico feliz por ter algo tão antigo assim adornando minha casa...fico pensando em quantas pessoas foram embaladas naquela cadeira, haja vista minha bisavó ter tido 10 filhos vivos, fora os que perdeu...fico pensando em como era possível dar conta de tantos filhos, eu que estou aqui perdida e morta de cansada apenas tendo 2. E há quem me pergunte quando tentarei a menina...devagar com o andor, minha gente! Dia desses jurei que só teria 1 e agora já querem 3?! Povo nunca tá satisfeito...aliás, estar NÃO satisfeito hoje em dia é o ordinário, dificil é alguém dizer que está pleno...são tantas as possibilidades de se ser e ter alguma coisa que a ansiedade é o novo mal do mundo. Digo isso porque há algumas semanas pintou a possibilidade de uma especialização, mas pra começar já em outubro em um horário que seria impossível manter a amamentação exclusiva; cheguei a me inscrever, porém, desisti. Pensei e repensei e não é o momento. Eu já havia me dado o resto do ano para me dedicar à maternidade, então, por que a pressa?! Especialização pode aparecer de novo. A infância dos meus meninos, só uma vez. E já que me é possível curtir esse momento, por que sabotar minha própria escolha? Não é muito fácil admitir que, por enquanto, ser mãe é a minha profissão. Eu que tanto me preparei pra ser profissional de respeito, ainda me deparo com a cara de espanto de alguns quando descobrem que do Direito, só tenho o diploma mesmo. Apesar de ser sócia de uma empresa, no momento, até ajudo a tomar decisões, mas tá impossível estar in loco. Acompanho, de longe, os movimentos, porque de perto são movimentos mais doces que me fazem terminar o dia cansada sonhando em poder dormir algumas horinhas antes da próxima jornada. Além dos doces movimentos do mais novo, acompanho de muito perto o crescimento do mais velho, que voraz por descobrir o mundo, faz também do meu pouco tempo que sobra o dele; e, mesmo não sendo fácil, sigo acreditando que só estando muito presente poderei ter orgulho de quem pus no mundo. Entendo, então, que não fechei as portas para mim. Mas vivendo, por enquanto, a vida dos meus filhos, as portas deles se tornaram as minhas, para que em algum tempo as minhas próprias possam ser abertas novamente. Realização pessoal difere de ser humano para ser humano, a minha por hora, é a maternidade, que entre momentos lindos e de prazer único, também rendem boas lágrimas de dor física e emocional. Pois como qualquer outro trabalho, tem seus maus momentos, com a diferença que não se pode tirar umas férias para recarregar as energias. Ainda assim, por escolha, deixei-me um tanto de lado para me doar um pouco a quem veio e quer ser cuidado. Quando eu tinha apenas o Dan a vida já estava tranquila, os horários bem estabelecidos e eu conseguia me virar bem no papel de mãe, esposa, empresária e dona de casa. Estava tudo tão certinho que, a pedido do Dan, escolhi bagunçar um pouco a vida e como quem monta um quebra-cabeças, estou tentando separar as peças por cores para então montar um desenho. Por hora, estou nas cores maternas, mas meu coração já pulsa por novos desafios, os quais no momento oportuno saberei enfrentar!


A (nova) vida como mãe de dois

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 Ainda bem que somos seres capazes de se adaptar a novas realidades. Ainda bem que somos seres capazes de se reinventar. Porque é isso que me ocorreu na nova vida como mãe de dois. Por mais que já tenhamos experiência, isso não anula novidades. É preciso muito jogo de cintura para dar conta de quase tudo. Porque tudo, infelizmente, a gente não dá conta mesmo. Paciência. São 74 dias de vida nova, rotina nova, prioridades novas. A grande vantagem é que por maior que seja o cansaço, o perrengue, a loucura, a gente sabe que, mais cedo ou mais tarde, passa! Ufa! Entre mamadas, consigo, atualmente, estar mais presente na vida do Dan (incluindo a vida de mãetorista), recomeçar a atividade física 3x por semana, fazer supermercado e coisas da casa, ir a consultas médicas etc. Escritório, por enquanto, está fora de cogitação. Ano que vem, gostaria de voltar, mas decidi curtir o restante desse ano as minhas crias. Escrever post tá MUITO dificil. Mas hoje bateu saudade e sentei 10 minutos para escrever essas poucas palavras!
 Espero que em pouco tempo, sobre tempo para escrever com mais frequencia. Por enquanto, Noah demanda muita atenção. Por falar nisso, ele me chama...



Os primeiros 30 dias como mãe de dois

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Logo que comecei a ler blogs maternos, eu era uma recém mãe de um e já achava que estava vivenciando a experiência mais deliciosamente dolorida da minha vida. Afinal, na maternidade os sentimentos são eternamente contraditórios. Quando lia sobre as mães que já estavam em sua segunda ou terceira ou quarta viagem, eu ficava me perguntando como cargas d´água conseguiam sobreviver. Hoje eu sei. Sobrevive-se pelo amor mesmo...porque é duro, minha gente! É pesado, exaustivo, desgastante, enlouquecedor, tem dias que dá vontade de sair correndo e nunca mais voltar, tem dias que chorar é a única alternativa de continuar sem perder totalmente a sanidade (porque uma parte a gente perde mesmo e não sei se um dia encontra). E entre todos esses sentimentos angustiantes, tem aquele imenso e terno amor que abranda tudo, que faz a gente respirar profunda e longamente e seguir. Além de tudo isso, claro que a ajuda de pessoas maravilhosas a nossa volta é fundamental e digo isso em voz de eterna gratidão porque a primeira semana pós parto foi muito dificil. Minha cirurgia formou edema, tive dores absurdas, um ponto quase abriu, eu minava sangue o dia todo e só fui ficar bem no 10.° dia (e ainda dizem que cesárea é tranquilo). Afora isso, no 8.° dia foi a circuncisão do Noah, a qual não foi bem sucedida e tivemos que ir para o hospital, entregar um bebê de apenas 8 dias nas mãos dos médicos e olhá-lo ir para o centro cirúrgico. Foram os piores 20 minutos de nossas vidas. Debulhei em lágrimas mas o médico era fantástico e tudo saiu bem. Já em casa, o dificil começo entre os irmãos...Dan está enfrentando uma crise e tanto: medo, insegurança, regressão, birra, tudo junto e misturado. E por mais que eu me desdobre, não está sendo suficiente. É muito duro ouvir: "você só quer saber do Noah", "quando você vai poder me carregar?", "eu quero mamar no peito também", "quero você só pra mim", "deixa o Noah aí que eu preciso de você" e por aí vai. Eu sabia que seria dificil, mas não imaginava que seria nesse nível. E a culpa? Ah, essa danada!! Sou atormentada por ela todos os dias quando vejo que não dá pra ser 100% para os dois. Um está sempre em desvantagem, fato! Nessas horas, meu desejo é ser um polvo, porém preciso contar com outros braços para compensar minha ausência: marido, irmã, mãe, secretárias, toda a ajuda que é tão bem-vinda quando é impossível estar atendendo dois ao mesmo tempo. E que sorte ter com quem contar, pior seria não dispor dessa ajuda, eu sei!
Bem, os primeiros 35 dias passaram e, apesar do imenso cansaço, estou mais disposta e sem aquela cara de dor dos primeiros dias. Já já volto a dirigir e poderei levar Dan às aulas, o que já vai melhorar muito a nossa relação, pois sei que ele sente muita falta da nossa antiga rotina, das nossas conversinhas no carro, do abraço apertado de tchau, do sorriso e olhinhos brilhando quando me viam chegar para buscá-lo, da ida ao supermercado ou ao shopping só nós dois, enfim, do tempo entre nós que anda tão escasso. Definitivamente, mãe padece e muito no paraíso. Madrugada dessas, aquele momento em que temos um profundo encontro com nosso "elo" perdido que só quem amamenta ou acorda pra dar mamadeira conhece, fui invadida por deliciosas memórias de alguns anos atrás, de como a vida era diferente e maravilhosamente irresponsável no auge de meus 20 e tantos anos. Fiquei feliz porque pude viver intensamente todas as fases da minha vida e agora está na hora de viver intensamente esta que estou passando para que eu lá na frente possa sentir a mesma saudade certa de que vivi e fiz tudo o que deveria. Eu não suporto me arrepender do que não fiz, odeio sentir o vazio que a inércia provoca. Por isso, que seja intenso, porque como minha sábia mãe diz e minha avó sempre repetia: "tudo passa, minha filha. Até o que é bom". 
CARPE DIEM!


A chegada de NOAH

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 NOAH: Do hebraico "descanso", "tranquilidade" ou "vida longa". Demoramos meses para decidir o nome do bebê. Entretanto, indo na contramão de seu nome, Noah chegou fazendo barulho; e tranquilidade não foi exatamente o que senti nas 16 horas de parto. Falei em um post aqui que no fim da 38° semana, a equipe que faria meu parto (obstetra e doula) não estaria em Manaus por conta de um congresso em São Paulo (SIAPARTO). Elas só estariam de volta quando eu estivesse com 39 semanas e 5 dias. Grandes chances delas voltarem e eu ainda estar grávida, mas tal qual o pão que sempre cai com o lado da manteiga virado para baixo, a lei de Murphy me pegou e com 39 semanas e 1 dia, Noah quis chegar. Na noite do dia 03/06, véspera do feriado de Corpus Christi, eu estava muito disposta e combinei uma saída com casais de amigos. Noite ótima, muitas risadas e de lá saímos mais de meia-noite. Dan tinha ido dormir na casa dos meus pais para que eu pudesse dormir até mais tarde no feriado e descansar um pouco o barrigão. Só que Noah tinha outros planos para nós...as 3h e 40min, fui despertada com uma forte cólica. Chamei meu marido e pedi que ele ficasse mais pertinho porque eu tinha sentido algo muito estranho e talvez o trabalho de parto se iniciasse. Lembro de ter me encolhido em posição fetal mas em menos de 10min senti algo querendo descer e supus que pudesse ser o tampão mucoso. Chamei meu marido e disse que eu iria ao banheiro. Mal tive tempo de sair da cama. Não só o tampão mucoso saiu como também a bolsa estourou e litros e litros de água começaram a sair. Meu marido levantou bem assustado e eu olhava aquela água toda já meio desapontada. Sabia que bolsa rota é sinônimo de alerta e que o parto natural que eu sonhara poderia não acontecer. A maioria das mulheres que estoura a bolsa, entra em TP nas próximas horas. E por 30min eu entrei em TP, com intervalos de 10min em 10min e contrações de 40 segundos. Tudo lindo! Eu estava feliz! Mas passados esses 30min, eu regredi. As contrações ficaram cada vez mais espaçadas e menos doloridas. Liguei para a obstetra que ficou no lugar da minha que estava em São Paulo e ela perguntou sobre a cor do liquido. Informei que estava transparente. Ela disse que então eu poderia continuar em casa mas que as 8h ela gostaria de me ver. Fui ao consultório dela, ouvimos o bebê, tudo estava ótimo, porém, nada de contrações. Ela pediu que eu ficasse em casa me exercitando e andando para que o TP voltasse, mas que caso não acontecesse, eu teria que me internar para começar o antibiótico, já que o bebê não tinha mais a proteção do liquido amniótico. Ao meio-dia fui para o hospital, ainda com quase nada de contrações. As 13h comecei a indução. E aí, conheci A dor. Muita dor. Contrações fortíssimas, doula (substituta) e marido ao meu lado, exercícios na bola, choro, cardiotoco no bebê e ZERO dilatação mesmo após 2 horas de indução. As 17h, um toque e meu colo continuava posterior e ZERO dilatação. Um alerta se acendeu...o bebê a partir dali começou a baixar os batimentos cardíacos a cada forte contração. A obstetra deu o primeiro aviso: "Myriam, sem dilatação desde as 4h da manhã, sem líquido e batimentos do bebê caindo, eu vou segurar só mais algumas horas, infelizmente". Meu mundo caiu...fiquei arrasada, mas continuei firme e forte na esperança de que nas próximas duas horas tudo mudasse. Mais indução, dores dilacerantes e eu realmente achava que algo havia mudado, mas as 20h, um novo toque e a constatação de que o colo continuava intacto e os batimentos do bebê mais instáveis. Meu prazo havia terminado. Chorei! Doula, marido e minha irmã amada me apoiaram muito, a pediatra, minha amiga/irmã chegou e me abraçou e fui encaminhada para o centro cirúrgico. A equipe toda foi tão maravilhosa que a partir desse momento eu esqueci a tristeza e resolvi que ia curtir e comemorar a chegada do meu filho. O anestesiologista foi um anjo, daqueles com a vibe lá em cima e com isso tratou de afastar meu silêncio e meu olhar de pena. Assim, as 21h e 06min, ouvi o primeiro choro do meu mais novo amor. Noah chegou lindo, com cabelo cor de fogo, olhões bem abertos, APGAR 9/10, e mamando imediatamente enquanto eu ainda estava sendo "costurada". Para mim, todo aquele clima de alegria, aquele respeito pela minha vontade, amamentação imediata, respeito ao meu recém-nascido, deu-me a certeza de que tive sim um parto humanizado. Não foi como planejei, ao contrário, foi tudo tão diferente, mas o diferente também pode ser bom quando se tem em volta amor. Noah, que apesar do nome, chegou balançando as estruturas, veio para me fazer sentir o amor materno instantâneo, imediato, fugaz, avassalador, sem a estranheza e a dúvida do desconhecido. Eu que antes tinha tanto medo de não saber como amar outro filho, hoje tenho tanto amor no peito que chega a doer e já nem consigo pensar meus dias sem a existência dos meus filhos. São apenas 16 dias fora da barriga, mas tempo suficiente para me fazer saber que amor é algo desmedido e ilimitado. Quanto mais se sente, mais se sente! Bem-vindo, Noah! Obrigada por me ensinar o amor em dobro, o amor imediato, a gostar do não planejado, a viver uma experiência tão diferente e tão maravilhosa quanto foi nossa jornada de 39 semanas e 1 dia. Que tenhamos muitos dias felizes, que sejamos sempre uma familia!


O primeiro encontro entre os irmãos

O encontro com a irmã mais velha!



Preparação para o parto

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 As 38 semanas chegaram e o dia D agora se aproxima. Definitivamente, nenhuma gravidez é igual a outra. Quando me falavam isso, eu não acreditava, mas tinham razão. A experiência que tive nesta segunda gestação foi completamente diferente da primeira. Desde o primeiro trimestre pude diferenciar uma gestação da outra. Enquanto na do Dan eu senti muito sono e um enorme cansaço nas pernas, nesta, além do sono, tive muuuito enjoo, que só foi melhorar na 14ª ou na 15ª semana. No segundo trimestre, apesar de eu me sentir bem mais disposta e sem os enjoos, não tive taaaanta energia quanto na primeira gestação. Mas acredito que isso se deveu pelo fato de tendo um filho de 4 anos em casa, descansar foi algo raro e por isso eu passei a gravidez inteira me sentindo muito cansada. Quando o terceiro trimestre chegou, senti um grande impacto em relação à primeira experiência. O bebê 2 é maior e mais gordinho, logo, minha coluna está em frangalhos. A parte muito boa foi que eu não tive qualquer episodio de infecção urinária nesta gravidez, ao contrário da primeira em que tive desde as 24 semanas infecções que eu não conseguia controlar nem fazendo uso dos antibióticos. Dan acabou nascendo com pouco mais de 37 semanas, com baixo peso e dificuldade respiratória, tanto que ficou na UTI por 36h.
 Outra grande diferença foi quanto à preparação para o parto em si. Como eu fiquei muito frustrada por não ter conseguido o parto normal da primeira vez, resolvi que nesta gravidez eu teria uma outra experiência. Por isso, fiz escolhas diferentes: mudei a equipe médica, fui atrás da ioga para grávidas para preparar meu corpo para o trabalho de parto, li mais, aprendi a conhecer mais meu corpo, comecei a massagem perineal na 36ª semana, a hidroginástica foi até quase 37 semanas, drenagem para evitar o inchaço de 2 a 3 vezes por semana, além de um enorme empoderamento fruto da leitura e da companhia de outras mulheres lindas e que caminham no mesmo propósito.
 Como não cheguei as 38 semanas na gravidez do primeiro filho, estou vivendo a minha primeira vez a partir de agora. As contrações de treinamento estão cada vez mais fortes, a pressão na região pélvica é grande, ou seja, o corpo está sinalizando de que o grande encontro se aproxima. As noites tem sido longas e cansativas, pois levanto pelo menos 4 vezes para ir ao banheiro, logo, um grande preparo pra fase de amamentação que está pra chegar!
 Eu me sinto em clima de despedida: quero mais tempo para descansar, para curtir o filho mais velho, sair com o marido, arrumar pendências. Tudo isso em meio a uma imensa ansiedade de conhecer logo quem está aqui dentro e remexe tanto com o meu corpo. Quero pegar nas suas mãozinhas, cheirar aquele cheiro que só os recém nascidos tem, derramar muito leite, sentir aquele misto de cansaço/desespero/alegria que só o puerpério nos permite sentir, porque como já dizia a música: "só as mães são felizes".


Ciranda da Grávida

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 Chico (Buarque), querido, desculpa! Mas aqui a ciranda não é da bailarina, é da grávida mesmo!!!

 Procurando bem
 Toda grávida tem algum enjoo
 Ânsia ou nojo
 E tem prisão de ventre, azia ou muita fome
 Só grávida de revista é que não tem
 nem dores, nem sensibilidade nas mamas
 nem cólicas ela não tem


 Confessando bem
 Toda grávida tem inchaço
 Dor na coluna, incômodo na pelve
 insônia, cansaço
 E se desequilibra, tem falta de memória
 Só grávida de revista é que não tem
 nem sono, nem espinha, nem estria
 Até muita vontade de fazer xixi ela não tem

 Homenagem a todas as mulheres que bravamente encaram a linda, porém, ardua aventura de gestar! Afinal, nem tudo são flores, nem tudo é cor de rosa ou azul bebê. Existem muito mais sintomas entre o céu e a terra da maternidade do que supõe a nossa vã filosofia!




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